São Paulo, SP - segunda-feira, 01 de fevereiro de 2010
Em janeiro de 2005, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, à época presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), apresentou o esboço de uma proposta de emenda à Constituição Federal que passou a ser chamada de "PEC dos Precatórios". Foram cinco anos de discussões na Câmara dos Deputados e no Senado Federal e um intenso bombardeio da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que logo apelidou o projeto de "PEC do Calote".
As críticas ficaram restritas à OAB e às entidades que representam magistrados. Em 6 de maio do ano passado, por exemplo, o Movimento dos Advogados em Defesa dos Credores Alimentares (Madeca) fez um ato público com direito a caminhão de som em frente ao Congresso Nacional em Brasília. Ali estavam juízes, advogados e servidores do Poder Judiciário. Mas nenhuma entidade sindical e tampouco patronal. Nenhum representante de empreiteiras, credoras de boa parte do estoque de precatórios não-alimentares, que resultam de desapropriações ou de ações judiciais abertas contra o calote dos governos em obras públicas, apareceu. E nenhum representante de servidores dos poderes executivos, que há tantos anos aguardam que Estados e municípios quitem seus precatórios alimentares, gerados por ações judiciais de cobrança de salários e benefícios não pagos, esteve por lá.
A ausência do poder econômico em uma discussão desse porte - que, no apagar das luzes, diz muito mais respeito às finanças públicas do que a questões meramente jurídicas - se fez sentir. O Senado aprovou a PEC no fim do ano legislativo num rito no mínimo discutível, que está, inclusive, sendo contestado em uma ação direta de inconstitucionalidade (Adin) no Supremo. Pela manhã do dia 2 de dezembro de 2009, a emenda à Lei Maior foi aprovada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Na noite daquele mesmo dia, o plenário bateu o martelo e transformou a proposta em lei. Por um acordo entre os líderes dos partidos, os cinco dias úteis necessários entre o primeiro e o segundo turno de votação de uma emenda no Senado foram surrupiados e a mudança em nossa Constituição, sancionada uma semana depois, entrou em vigor.
Não se pode dizer que foi uma surpresa. Cinco anos de tramitação teriam sido suficientes para que o debate econômico em torno de um tema tão caro ao país como o é sua dívida pública tivesse sido posto à mesa de negociações. Tímida e tardiamente, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) pôs as mãos na massa e encomendou um estudo à consultoria LCA Soluções Estratégicas de Economia, apresentado ao Senado apenas em junho do ano passado e automaticamente jogado em um canto qualquer.
Bem mais eficientes foram os governadores e prefeitos, que, de forma organizada, se mobilizaram pela aprovação do regime especial de pagamento de precatórios, que prevê limites da receita corrente líquida dos Estados e municípios para o pagamento das dívidas, altera a remuneração dos valores devidos e permite que parte dos títulos sejam leiloados. A pressão dos governadores e prefeitos chegou a levar o relator da PEC, Valdir Raupp (PMDB-RO), a deixar a relatoria. O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), encabeçou o movimento, e com razão: a despesa do município com o pagamento de precatórios vai cair de R$ 2,17 bilhões para R$ 450 milhões no orçamento deste ano. Os governadores de São Paulo, José Serra, e de Minas Gerais, Aécio Neves, foram representados diretamente pelos seus secretários estaduais da Fazenda nas negociações da PEC no Senado.
Enquanto a OAB tentava, sozinha, barrar o andamento da PEC com argumentos jurídicos - como o respeito à ordem cronológica dos pagamentos e à chamada "coisa julgada", que prevê que a lei não pode prejudicar uma decisão judicial definitiva -, governadores e prefeitos apresentavam números. E os números saíram vencedores. No segundo turno, a proposta teve aprovação quase unânime, com 54 votos favoráveis e apenas dois contrários. Um deles, do senador Inácio Arruda (PCdoB-CE), que manifestou seu voto pelo fato de "o seu partido e as centrais sindicais e sindicatos ligados a ele terem dúvidas sobre o texto da PEC".
"Nós caímos em uma armadilha de que esse seria um problema jurídico", admite o presidente da Comissão de Precatórios da OAB de São Paulo. "E não é. É um problema de finanças públicas." Cabe aqui o dito popular: teria sido melhor prevenir do que remediar. Mas diante da falta absoluta de ação na esfera e no prazo certo, agora o meio corporativo se mobiliza para retomar a discussão sobre as alternativas possíveis para a quitação das dívidas de Estados e municípios. Na tarde de hoje a Fiesp receberá seus associados para debater uma proposta apresentada pelo seu departamento da indústria da construção. O setor, que esteve ausente das negociações em torno da PEC no Congresso - não é de hoje que empreiteira não compra briga com governo, porque é ele que gera boa parte de sua receita - agora apela a soluções de mercado para encontrar uma alternativa que evite que seus créditos, quando finalmente chegarem ao seu bolso, venham pela metade.
Curiosamente, a proposta apresentada transfere o problema ao governo federal, o único Poder Executivo do país em dia com o pagamento de seus precatórios. A Fiesp propõe que os credores troquem os precatórios por papéis de dívida de mercado, com vencimento em 20 ou 30 anos, e que a União seja a fiadora dos Estados e municípios devedores. Esses títulos poderiam ser usados em privatizações, subscrições de ações em projetos como o pré-sal, fundos de infraestrutura e até mesmo pagamento de prestações da casa própria - já circula inclusive uma proposta para que a Caixa Econômica Federal (CEF) aceite precatórios como pagamento de financiamentos dentro do programa Minha Casa Minha Vida.
Qualquer uma das ideias não passa de uma federalização das dívidas dos Estados e municípios, seja direta ou indiretamente. O mais curioso, no entanto, é que propostas de cunho econômico como essas tenham sido apresentadas ao Supremo junto com os argumentos jurídicos que sustentam a Adin contra a Emenda Constitucional nº 62 impetrada pela OAB, como se a instância judicial fosse a via para a discussão de contrapropostas a leis consideradas inconstitucionais.
Cristine Prestes é repórter especial. O titular da coluna, Fábio Wanderley Reis, não escreve hoje excepcionalmente
E-mail: cristine.prestes@valor.com.br
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
Com juros em baixa, imóvel cresce e reaparece
Rio de Janeiro, RJ - segunda-feira, 01 de fevereiro de 2010
Sem opção de risco baixo e ganho alto nos fundos, investidor aplica em apartamentos e salas comerciais, e preços sobem até 82%
Felipe Frisch
A queda da taxa básica de juros, a Selic, que remunera os fundos DI e de renda fixa, para o atual patamar, de 8,75% ao ano, provocou um fenômeno no mercado imobiliário do Rio nos últimos meses. Sem alternativas de investimento de baixo risco e com rentabilidade elevada como no passado, os preços dos imóveis em toda a cidade explodiram. Especialmente em bairros como Copacabana, onde os apartamentos de quarto e sala subiram 48,08% de janeiro do ano passado para hoje.
Com isso, segundo dados do Sindicato da Habitação (SecoviRio), saíram de uma média de R$ 171 mil para R$ 254 mil no bairro. Os de dois quartos, típicos de compra para investimento - por serem mais fáceis de alugar -, que valiam R$ 284 mil em média, passaram a cerca de R$ 390 mil, uma alta de 21,28% de um ano para o outro. Na Tijuca, o apartamento de dois quartos teve valorização de 81,95% no mesmo período, tendo saído de R$ 113 mil para R$ 206 mil. O quarto-e-sala se valorizou menos, 28,94%, mas ainda uma rentabilidade superior à de muitas aplicações financeiras. Em especial as de renda fixa.
Em 2009, ano que a Selic começou em 13,75% anuais, os fundos DI, que acompanham a taxa básica, tiveram rentabilidade de 10,21% sem descontar o Imposto de Renda (IR). Considerando um tributo de 20% (para quem investe por seis meses a um ano), a rentabilidade cairia para cerca de 8,17%, podendo ser bem menor, a depender da taxa de administração cobrada pelo fundo.
Algumas carteiras chegaram até a perder da poupança, com rentabilidade de 6,72% em 2009 e sem incidência de IR. Já as carteiras de renda fixa renderam 10,48%, ou 8,38% sem o IR de 20% e considerando baixos encargos, segundo dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). Com a Selic a 8,75% ao ano, esses fundos devem passar a render cerca de 6% ao ano apenas.
Associação: áreas de bairros são beneficiadas com UPPs
Os imóveis tiveram uma valorização muito superior. Os de quarto e sala que menos se valorizaram, em Ipanema, passaram a valer 16,14% a mais. Nos de sala e dois quartos, a menor valorização foi de 9,50%, em Laranjeiras.
O diretor de Locações da Associação Brasileira das Administradoras de Imóveis (Abadi), Carlos Samuel de Oliveira Freitas, avalia que alguns bairros, como Botafogo e partes de Ipanema e Copacabana, foram especialmente beneficiados no último ano pela implantação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), a ocupação de favelas pela Polícia Militar. A iniciativa nitidamente valorizou os imóveis. Em Botafogo, os apartamentos de um quarto passaram a valer, em média, 29,08% a mais.
Mas o movimento foi tão forte que não houve um bairro entre os analisados - os principais para investimento - que não tenha obtido valorização.
Normalmente, de um ano para outro, há regiões que se valorizam e outras não, ainda que o saldo seja positivo. Segundo corretores, as buscas têm se intensificado por pessoas que não querem ficar com o dinheiro "parado" em fundos com rentabilidade de 0,50% ao mês ou inferior. E o imóvel reaparece como alternativa de investimento - para reformar e revender com lucro ou alugar - ou mesmo para moradia.
Ainda há espaço para valorização, diz especialista
Paula Moura, administradora do site de móveis usados contemporâneos Gávea Garage, encontrase na primeira situação. Ela quer comprar uma sala comercial na Zona Sul para receber como rendimento o aluguel e avalia que, nos últimos cinco anos, os imóveis em alguns bairros dobraram de preço, boa parte desse movimento tendo sido concentrada no último ano, quando ela começou a procurar com o marido, publicitário.
- Está tudo muito mais caro hoje. Estamos com dificuldade para achar. Subiu bastante, e os imóveis comerciais estão se valorizando quase a mesma coisa que os residenciais em bairros como o Leblon - diz Paula, que está desistindo dos investimentos de renda fixa e da parcela que estava em ações para comprar este imóvel, sob recomendação de amigos do próprio mercado financeiro.
O diretor de Desenvolvimento de Projetos da incorporadora NEP, Cyro Fidalgo, diz que "nitidamente houve um maior volume de compras do meio do ano passado para cá", num movimento que começou com pessoas procurando nos imóveis um porto seguro em meio à crise financeira.
O administrador de investimentos Fabio Colombo considera a busca por imóveis "natural" com a queda, principalmente, dos juros reais (descontada a inflação).
Mas avalia que outro fator favorável é a melhora do cenário econômico - e a consequente volta do crescimento -, o que deve estimular as pessoas a entrarem em financiamentos para compra da casa própria ou de imóvel para investir.
- O déficit de moradia ainda é grande. Não adianta só o investidor comprar se não tiver quem alugue ou compre o imóvel depois - diz Colombo, que avalia que ainda há espaço para valorização, especialmente de imóveis para as classes C, D e E.
Além da valorização do próprio imóvel, quem compra um apartamento ou uma sala para investir está preocupado com o valor do aluguel, claro. O vicepresidente de Assuntos Condominiais do Secovi-Rio, Leonardo Schneider, estima que o rendimento mensal dos imóveis residenciais fique entre 0,3% e 0,6%, enquanto nos comerciais é considerada boa rentabilidade algo entre 0,7% e 0,9% ao mês. Nos dois casos, a rentabilidade é melhor nos imóveis menores, mais procurados também por quem quer habitá-los. n
Mande sugestões de reportagens para voceinveste@oglobo.com.br
Sem opção de risco baixo e ganho alto nos fundos, investidor aplica em apartamentos e salas comerciais, e preços sobem até 82%
Felipe Frisch
A queda da taxa básica de juros, a Selic, que remunera os fundos DI e de renda fixa, para o atual patamar, de 8,75% ao ano, provocou um fenômeno no mercado imobiliário do Rio nos últimos meses. Sem alternativas de investimento de baixo risco e com rentabilidade elevada como no passado, os preços dos imóveis em toda a cidade explodiram. Especialmente em bairros como Copacabana, onde os apartamentos de quarto e sala subiram 48,08% de janeiro do ano passado para hoje.
Com isso, segundo dados do Sindicato da Habitação (SecoviRio), saíram de uma média de R$ 171 mil para R$ 254 mil no bairro. Os de dois quartos, típicos de compra para investimento - por serem mais fáceis de alugar -, que valiam R$ 284 mil em média, passaram a cerca de R$ 390 mil, uma alta de 21,28% de um ano para o outro. Na Tijuca, o apartamento de dois quartos teve valorização de 81,95% no mesmo período, tendo saído de R$ 113 mil para R$ 206 mil. O quarto-e-sala se valorizou menos, 28,94%, mas ainda uma rentabilidade superior à de muitas aplicações financeiras. Em especial as de renda fixa.
Em 2009, ano que a Selic começou em 13,75% anuais, os fundos DI, que acompanham a taxa básica, tiveram rentabilidade de 10,21% sem descontar o Imposto de Renda (IR). Considerando um tributo de 20% (para quem investe por seis meses a um ano), a rentabilidade cairia para cerca de 8,17%, podendo ser bem menor, a depender da taxa de administração cobrada pelo fundo.
Algumas carteiras chegaram até a perder da poupança, com rentabilidade de 6,72% em 2009 e sem incidência de IR. Já as carteiras de renda fixa renderam 10,48%, ou 8,38% sem o IR de 20% e considerando baixos encargos, segundo dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). Com a Selic a 8,75% ao ano, esses fundos devem passar a render cerca de 6% ao ano apenas.
Associação: áreas de bairros são beneficiadas com UPPs
Os imóveis tiveram uma valorização muito superior. Os de quarto e sala que menos se valorizaram, em Ipanema, passaram a valer 16,14% a mais. Nos de sala e dois quartos, a menor valorização foi de 9,50%, em Laranjeiras.
O diretor de Locações da Associação Brasileira das Administradoras de Imóveis (Abadi), Carlos Samuel de Oliveira Freitas, avalia que alguns bairros, como Botafogo e partes de Ipanema e Copacabana, foram especialmente beneficiados no último ano pela implantação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), a ocupação de favelas pela Polícia Militar. A iniciativa nitidamente valorizou os imóveis. Em Botafogo, os apartamentos de um quarto passaram a valer, em média, 29,08% a mais.
Mas o movimento foi tão forte que não houve um bairro entre os analisados - os principais para investimento - que não tenha obtido valorização.
Normalmente, de um ano para outro, há regiões que se valorizam e outras não, ainda que o saldo seja positivo. Segundo corretores, as buscas têm se intensificado por pessoas que não querem ficar com o dinheiro "parado" em fundos com rentabilidade de 0,50% ao mês ou inferior. E o imóvel reaparece como alternativa de investimento - para reformar e revender com lucro ou alugar - ou mesmo para moradia.
Ainda há espaço para valorização, diz especialista
Paula Moura, administradora do site de móveis usados contemporâneos Gávea Garage, encontrase na primeira situação. Ela quer comprar uma sala comercial na Zona Sul para receber como rendimento o aluguel e avalia que, nos últimos cinco anos, os imóveis em alguns bairros dobraram de preço, boa parte desse movimento tendo sido concentrada no último ano, quando ela começou a procurar com o marido, publicitário.
- Está tudo muito mais caro hoje. Estamos com dificuldade para achar. Subiu bastante, e os imóveis comerciais estão se valorizando quase a mesma coisa que os residenciais em bairros como o Leblon - diz Paula, que está desistindo dos investimentos de renda fixa e da parcela que estava em ações para comprar este imóvel, sob recomendação de amigos do próprio mercado financeiro.
O diretor de Desenvolvimento de Projetos da incorporadora NEP, Cyro Fidalgo, diz que "nitidamente houve um maior volume de compras do meio do ano passado para cá", num movimento que começou com pessoas procurando nos imóveis um porto seguro em meio à crise financeira.
O administrador de investimentos Fabio Colombo considera a busca por imóveis "natural" com a queda, principalmente, dos juros reais (descontada a inflação).
Mas avalia que outro fator favorável é a melhora do cenário econômico - e a consequente volta do crescimento -, o que deve estimular as pessoas a entrarem em financiamentos para compra da casa própria ou de imóvel para investir.
- O déficit de moradia ainda é grande. Não adianta só o investidor comprar se não tiver quem alugue ou compre o imóvel depois - diz Colombo, que avalia que ainda há espaço para valorização, especialmente de imóveis para as classes C, D e E.
Além da valorização do próprio imóvel, quem compra um apartamento ou uma sala para investir está preocupado com o valor do aluguel, claro. O vicepresidente de Assuntos Condominiais do Secovi-Rio, Leonardo Schneider, estima que o rendimento mensal dos imóveis residenciais fique entre 0,3% e 0,6%, enquanto nos comerciais é considerada boa rentabilidade algo entre 0,7% e 0,9% ao mês. Nos dois casos, a rentabilidade é melhor nos imóveis menores, mais procurados também por quem quer habitá-los. n
Mande sugestões de reportagens para voceinveste@oglobo.com.br
Loja de material de construção aposta na prorrogação do IPI
Segunda-feira, 01 de fevereiro de 2010
SÃO PAULO - Diferentemente de outros setores como o de linha branca e de automóveis, que não devem ter incentivos fiscais renovados, o varejo de material de construção deve aproveitar a redução do Imposto sobre Produto Industrializado (IPI) até o dia 30 de junho e a previsão é de que possa ser prorrogada mais uma vez. A expectativa é que o governo continue a estimular a construção civil este ano, setor que será beneficiado ainda pelo programa "Minha Casa Minha Vida" e pelas obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Com o cenário positivo, grandes redes como Saint-Gobain Distribuição (Telhanorte, Center Líder e Pro Telhanorte), Dicico e C&C-Casa & Construção ainda devem aproveitar para consolidar seus crescimentos.
Segundo Marcelo Rosse, diretor de Mercadorias e de Marketing de Produtos da Saint-Gobain, é preciso um prazo maior para que o setor aproveite a redução, já que possui um perfil de compra diferente de outros segmentos: "A redução do IPI não teve o mesmo impacto no nosso setor porque a decisão de fazer uma reforma é muito mais pensada, é de longo prazo, é mais fácil tomar a decisão de comprar uma TV ou um carro, mas mesmo assim é muito importante que continue, até psicologicamente. Apoiamos a manutenção", reforça o diretor.
A rede ainda aproveita o incentivo como apelo para campanhas de marketing, sendo que começará uma nova campanha esta semana, chamada de "Reforma Brasil": "Estamos aproveitando o gancho e a aura da Copa do Mundo para motivarem as pessoas a fazerem suas reformas agora", afirma.
Com isso e com a expectativa de maturação das lojas abertas em 2009, a rede espera crescimento de dois dígitos e maior do que no ano passado. No ano anterior, a Saint-Gobain comprou a rede Center Líder, com dez unidades, e abriu mais cinco lojas da Telhanorte, chegando a 41 pontos-de-venda.
Das 10 lojas Center Líder, bandeira que será destinada para atingir a classe C, ainda foram convertidas quatro em Telhanorte, voltadas para classe A e B, sendo que quer consolidar a aquisição esse ano e otimizar sua logística, com intenção de abrir até um novo centro de distribuição em Guarulhos, Grande São Paulo.
A rede Dicico afirma que a redução do IPI beneficiou a economia como um todo e não "comprou" a crise econômica, investindo e oferecendo redução de preços até antes do incentivo ter sido confirmado no setor no ano passado, aproveitando para fazer mais campanhas na mídia. Este ano, a rede quer atingir a marca de R$ 1 bilhão de faturamento, frente a cerca de R$ 750 milhões de 2009, o que representou um crescimento de 22% sobre 2008.
Segundo afirmou Cláudio Fortuna, diretor de Marketing da rede, a intenção é abrir 12 lojas, com investimento total de cerca de R$ 60 milhões. "O compromisso da Dicico é ir mais longe esse ano. Reforçamos a empresa para isso investindo em pessoas, logística e informática, mesmo com o clima de incerteza do ano passado", afirmou o diretor.
A empresa ampliou recentemente em 10 mil metros quadrados o seu centro de distribuição em São Paulo, além de instalar avançados softwares no local, o que prepara a rede até para uma possível expansão fora do Estado de São Paulo, onde ainda estão todas as suas lojas.
A Dicico ainda diz explorar sua expansão em locais em que seus concorrentes não estão, em bairros mais distantes, atendendo principalmente o público das classes B e C. Segundo Fortuna, a empresa tem caixa próprio para continuar os investimentos e expansão acelerada, mas mantém o interesse manifestado no ano passado de realizar uma parceria com algum fundo de investimentos, por exemplo, vendendo parte da empresa. "É uma tendência do mercado, não abandonamos os planos, existem propostas e estamos sempre abertos a conversas", explica o executivo.
Para a C&C-Casa & Construção, apesar de em outros setores o IPI menor ter estimulado até mais, o clima é de otimismo e pode levar as pessoas até a anteciparem suas obras e reformas, com a expectativa de crescer mais este ano. Segundo Mauro Florio, diretor de Marketing da rede, a companhia está com 40 unidades e em expansão, mas sempre a procura das melhores oportunidades para aberturas, principalmente ainda nos mercados dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, apesar de também ter lojas no Paraná e em Minas Gerais. No ano passado abriu dois home centers, ritmo que tem mantido recentemente.
O diretor ainda afirma que a empresa aproveita o apelo do incentivo fiscal na suas propagandas, mas já realiza ofertas toda semana e aposta ainda nas suas condições de pagamento para atrair mais consumidores. A C&C também realizou uma parceria há três meses com o Banco Itaú, para lançar um novo cartão da rede. "Substituímos pelo nosso antigo cartão próprio e já estamos indo muito bem", diz.
SÃO PAULO - Diferentemente de outros setores como o de linha branca e de automóveis, que não devem ter incentivos fiscais renovados, o varejo de material de construção deve aproveitar a redução do Imposto sobre Produto Industrializado (IPI) até o dia 30 de junho e a previsão é de que possa ser prorrogada mais uma vez. A expectativa é que o governo continue a estimular a construção civil este ano, setor que será beneficiado ainda pelo programa "Minha Casa Minha Vida" e pelas obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Com o cenário positivo, grandes redes como Saint-Gobain Distribuição (Telhanorte, Center Líder e Pro Telhanorte), Dicico e C&C-Casa & Construção ainda devem aproveitar para consolidar seus crescimentos.
Segundo Marcelo Rosse, diretor de Mercadorias e de Marketing de Produtos da Saint-Gobain, é preciso um prazo maior para que o setor aproveite a redução, já que possui um perfil de compra diferente de outros segmentos: "A redução do IPI não teve o mesmo impacto no nosso setor porque a decisão de fazer uma reforma é muito mais pensada, é de longo prazo, é mais fácil tomar a decisão de comprar uma TV ou um carro, mas mesmo assim é muito importante que continue, até psicologicamente. Apoiamos a manutenção", reforça o diretor.
A rede ainda aproveita o incentivo como apelo para campanhas de marketing, sendo que começará uma nova campanha esta semana, chamada de "Reforma Brasil": "Estamos aproveitando o gancho e a aura da Copa do Mundo para motivarem as pessoas a fazerem suas reformas agora", afirma.
Com isso e com a expectativa de maturação das lojas abertas em 2009, a rede espera crescimento de dois dígitos e maior do que no ano passado. No ano anterior, a Saint-Gobain comprou a rede Center Líder, com dez unidades, e abriu mais cinco lojas da Telhanorte, chegando a 41 pontos-de-venda.
Das 10 lojas Center Líder, bandeira que será destinada para atingir a classe C, ainda foram convertidas quatro em Telhanorte, voltadas para classe A e B, sendo que quer consolidar a aquisição esse ano e otimizar sua logística, com intenção de abrir até um novo centro de distribuição em Guarulhos, Grande São Paulo.
A rede Dicico afirma que a redução do IPI beneficiou a economia como um todo e não "comprou" a crise econômica, investindo e oferecendo redução de preços até antes do incentivo ter sido confirmado no setor no ano passado, aproveitando para fazer mais campanhas na mídia. Este ano, a rede quer atingir a marca de R$ 1 bilhão de faturamento, frente a cerca de R$ 750 milhões de 2009, o que representou um crescimento de 22% sobre 2008.
Segundo afirmou Cláudio Fortuna, diretor de Marketing da rede, a intenção é abrir 12 lojas, com investimento total de cerca de R$ 60 milhões. "O compromisso da Dicico é ir mais longe esse ano. Reforçamos a empresa para isso investindo em pessoas, logística e informática, mesmo com o clima de incerteza do ano passado", afirmou o diretor.
A empresa ampliou recentemente em 10 mil metros quadrados o seu centro de distribuição em São Paulo, além de instalar avançados softwares no local, o que prepara a rede até para uma possível expansão fora do Estado de São Paulo, onde ainda estão todas as suas lojas.
A Dicico ainda diz explorar sua expansão em locais em que seus concorrentes não estão, em bairros mais distantes, atendendo principalmente o público das classes B e C. Segundo Fortuna, a empresa tem caixa próprio para continuar os investimentos e expansão acelerada, mas mantém o interesse manifestado no ano passado de realizar uma parceria com algum fundo de investimentos, por exemplo, vendendo parte da empresa. "É uma tendência do mercado, não abandonamos os planos, existem propostas e estamos sempre abertos a conversas", explica o executivo.
Para a C&C-Casa & Construção, apesar de em outros setores o IPI menor ter estimulado até mais, o clima é de otimismo e pode levar as pessoas até a anteciparem suas obras e reformas, com a expectativa de crescer mais este ano. Segundo Mauro Florio, diretor de Marketing da rede, a companhia está com 40 unidades e em expansão, mas sempre a procura das melhores oportunidades para aberturas, principalmente ainda nos mercados dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, apesar de também ter lojas no Paraná e em Minas Gerais. No ano passado abriu dois home centers, ritmo que tem mantido recentemente.
O diretor ainda afirma que a empresa aproveita o apelo do incentivo fiscal na suas propagandas, mas já realiza ofertas toda semana e aposta ainda nas suas condições de pagamento para atrair mais consumidores. A C&C também realizou uma parceria há três meses com o Banco Itaú, para lançar um novo cartão da rede. "Substituímos pelo nosso antigo cartão próprio e já estamos indo muito bem", diz.
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
Câmara vai cobrar informações sobre atrasos em obras da Copa
O presidente da Comissão de Fiscalização Financeira e Controle, deputado Silvio Torres (PSDB-SP), considera preocupante o pedido do presidente Lula para que a fiscalização sobre a execução das obras para a Copa do Mundo de 2014 seja amenizada de forma a não atrasar a realização do evento. "Isso é um sinal de que o próprio governo está preocupado com o atraso", disse Torres, ao avisar que na retomada dos trabalhos da Câmara vai apresentar requerimento para que o ministro dos Esportes, Orlando Silva, venha expor como andam os trabalhos.
Torres afirma que as informações colhidas até hoje pela comissão e pelo Portal de Fiscalização e Controle mostram que poucos passos foram dados no sentido de realizar todas as obras necessárias, sobretudo no setor de transportes, chamado de mobilidade urbana. O portal foi criado pela Rede de Informações e Acompanhamento dos Recursos Públicos para Organização da Copa, formada pelas comissões de Fiscalização e Controle da Câmara e do Senado e pelos tribunais de contas da União (TCU) e dos estados e municípios.
Silêncio
Segundo o deputado, foram pedidas informações aos ministérios dos Esportes, das Cidades e do Planejamento e à Casa Civil sobre as demandas e projetos apresentadas pelos estados e pelas cidades-sede da Copa. Apenas o Ministério das Cidades forneceu números e detalhes. O Planejamento e a Casa Civil remeteram o assunto ao Ministério dos Esportes - que, até hoje, de acordo com Silvio Torres, não respondeu a nenhuma das demandas, apesar de vencido o prazo para a prestação de informações ao Congresso.
Torres afirma que, por trás do silêncio, está a lentidão com que as providências estão sendo tomadas, apesar de o País ter obtido o direito de sediar os jogos há dois anos. Ele lembra que o dinheiro para construção e reforma de estádios já está disponível há meses, mas até dezembro de 2009 o BNDES, que dispõe de R$ 4,8 bilhões para isso, não havia recebido propostas. "Não se sabe nem se todos os estados e municípios terão condições de receber esses recursos", alerta o deputado.
Preço
De acordo com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção Civil, os investimentos em infraestrutura para a realização da Copa e das Olimpíadas de 2016 deverão chegar a R$ 86 bilhões. No dia 13 de janeiro, o presidente Lula anunciou o PAC da Copa , que prevê R$ 21 bilhões, oriundos de fontes diversas, para as obras. Desse total, R$ 7 bilhões sairão dos cofres públicos, estaduais ou federais.
O restante, além do dinheiro do BNDES, virá do FGTS, que reservou R$ 8 bilhões para o setor de transportes e R$ 1 bilhão para expansão, modernização ou revitalização de hotéis. De acordo com o Ministério das Cidades, estados e cidades-sede já pediram outros R$ 41 bilhões para obras de transportes urbanos.
Contrapartida
O deputado explica que todas as obras necessárias serão financiadas e pressupõem contrapartida dos entes que vão recebê-las. Porém, esse dinheiro não está previsto nos orçamentos locais nem há previsão de repasses orçamentários. "Estados e municípios a rigor não têm verbas carimbadas para esse tipo de obra", alerta Silvio Torres. O parlamentar afirma que apenas algumas obras previstas no Programa de Aceleração do Crescimento fazem parte do pacote necessário para a Copa.
Para o deputado, mesmo antes de começar alguns dos projetos é preciso repensá-los. É o caso do trem-bala que ligaria São Paulo ao Rio de Janeiro. Previsto para a Copa, já se sabe que talvez seja possível apenas para as Olimpíadas. Porém, Torres questiona se valeria a pena, ao custo de R$ 34,5 bilhões, investir num trem-bala quando as pessoas vão gastar de três a quatro horas para se locomover dentro das grandes cidades brasileiras.
Ele acredita que é preciso pensar se não seria mais razoável investir nos metrôs das capitais. Porém, observa Torres, mesmo antes dessa definição já há governos lançando editais para criar "fatos consumados".
Torres afirma que as informações colhidas até hoje pela comissão e pelo Portal de Fiscalização e Controle mostram que poucos passos foram dados no sentido de realizar todas as obras necessárias, sobretudo no setor de transportes, chamado de mobilidade urbana. O portal foi criado pela Rede de Informações e Acompanhamento dos Recursos Públicos para Organização da Copa, formada pelas comissões de Fiscalização e Controle da Câmara e do Senado e pelos tribunais de contas da União (TCU) e dos estados e municípios.
Silêncio
Segundo o deputado, foram pedidas informações aos ministérios dos Esportes, das Cidades e do Planejamento e à Casa Civil sobre as demandas e projetos apresentadas pelos estados e pelas cidades-sede da Copa. Apenas o Ministério das Cidades forneceu números e detalhes. O Planejamento e a Casa Civil remeteram o assunto ao Ministério dos Esportes - que, até hoje, de acordo com Silvio Torres, não respondeu a nenhuma das demandas, apesar de vencido o prazo para a prestação de informações ao Congresso.
Torres afirma que, por trás do silêncio, está a lentidão com que as providências estão sendo tomadas, apesar de o País ter obtido o direito de sediar os jogos há dois anos. Ele lembra que o dinheiro para construção e reforma de estádios já está disponível há meses, mas até dezembro de 2009 o BNDES, que dispõe de R$ 4,8 bilhões para isso, não havia recebido propostas. "Não se sabe nem se todos os estados e municípios terão condições de receber esses recursos", alerta o deputado.
Preço
De acordo com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção Civil, os investimentos em infraestrutura para a realização da Copa e das Olimpíadas de 2016 deverão chegar a R$ 86 bilhões. No dia 13 de janeiro, o presidente Lula anunciou o PAC da Copa , que prevê R$ 21 bilhões, oriundos de fontes diversas, para as obras. Desse total, R$ 7 bilhões sairão dos cofres públicos, estaduais ou federais.
O restante, além do dinheiro do BNDES, virá do FGTS, que reservou R$ 8 bilhões para o setor de transportes e R$ 1 bilhão para expansão, modernização ou revitalização de hotéis. De acordo com o Ministério das Cidades, estados e cidades-sede já pediram outros R$ 41 bilhões para obras de transportes urbanos.
Contrapartida
O deputado explica que todas as obras necessárias serão financiadas e pressupõem contrapartida dos entes que vão recebê-las. Porém, esse dinheiro não está previsto nos orçamentos locais nem há previsão de repasses orçamentários. "Estados e municípios a rigor não têm verbas carimbadas para esse tipo de obra", alerta Silvio Torres. O parlamentar afirma que apenas algumas obras previstas no Programa de Aceleração do Crescimento fazem parte do pacote necessário para a Copa.
Para o deputado, mesmo antes de começar alguns dos projetos é preciso repensá-los. É o caso do trem-bala que ligaria São Paulo ao Rio de Janeiro. Previsto para a Copa, já se sabe que talvez seja possível apenas para as Olimpíadas. Porém, Torres questiona se valeria a pena, ao custo de R$ 34,5 bilhões, investir num trem-bala quando as pessoas vão gastar de três a quatro horas para se locomover dentro das grandes cidades brasileiras.
Ele acredita que é preciso pensar se não seria mais razoável investir nos metrôs das capitais. Porém, observa Torres, mesmo antes dessa definição já há governos lançando editais para criar "fatos consumados".
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
Desafio não é interesse externo, mas gestão e regulação internas
Somente os investimentos em infraestrutura para realização da Copa do Mundo de 2014 e da Olimpíada de 2016 deverão consumir cerca de R$ 80 bilhões nos próximos anos, segundo previsão de Virgílio Machado Moura, que coordena a comissão de obras públicas da Cbic (Câmara Brasileira da Indústria da Construção Civil).
Nos cálculos dele, entre 20% e 25% desse montante virão do exterior. O resto será coberto por governo e empresas locais.
O alto retorno esperado, diz Moura, deverá garantir o interesse nesses projetos. Com isso, o próximo presidente deverá ter condições de manter o fluxo de recursos necessários para financiar o deficit nas transações com o exterior.
"A posição brasileira no cenário internacional deverá se consolidar. Os marcos regulatórios no país não são os desejáveis, mas estamos amadurecendo e temos uma taxa de retorno compatível com o risco."
Para ele, os gargalos não estarão lá fora, no interesse do estrangeiro, mas aqui dentro. "Teremos de melhorar a gestão, padronizar a atuação de órgãos de fiscalização."
Presidente da Abinee (Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica), Humberto Barbato diz que será inevitável que o próximo governo ataque problemas estruturais.
O setor é grande importador de insumos. Cada item produzido tem cerca de 20% de componentes importados. Com isso, as exportações do segmento não cobrem as importações. O saldo negativo de US$ 17 bilhões na balança comercial do setor em 2009 deverá chegar a US$ 20 bilhões neste ano.
"Um país não pode persistir com deficit desse tamanho num setor. Mesmo sendo grandeexportador de commodities, não há como pagar esse deficit eternamente. Se o preço das commodities cair, gera um problema na balança comercial. Temos um modelo de desenvolvimento perigoso: vendemos matéria-prima e compramos produtos inteligentes."
Ele diz ainda que o setor já apresentou um plano de reversão, num período de dez anos, do deficit do segmento.
Nos cálculos dele, entre 20% e 25% desse montante virão do exterior. O resto será coberto por governo e empresas locais.
O alto retorno esperado, diz Moura, deverá garantir o interesse nesses projetos. Com isso, o próximo presidente deverá ter condições de manter o fluxo de recursos necessários para financiar o deficit nas transações com o exterior.
"A posição brasileira no cenário internacional deverá se consolidar. Os marcos regulatórios no país não são os desejáveis, mas estamos amadurecendo e temos uma taxa de retorno compatível com o risco."
Para ele, os gargalos não estarão lá fora, no interesse do estrangeiro, mas aqui dentro. "Teremos de melhorar a gestão, padronizar a atuação de órgãos de fiscalização."
Presidente da Abinee (Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica), Humberto Barbato diz que será inevitável que o próximo governo ataque problemas estruturais.
O setor é grande importador de insumos. Cada item produzido tem cerca de 20% de componentes importados. Com isso, as exportações do segmento não cobrem as importações. O saldo negativo de US$ 17 bilhões na balança comercial do setor em 2009 deverá chegar a US$ 20 bilhões neste ano.
"Um país não pode persistir com deficit desse tamanho num setor. Mesmo sendo grandeexportador de commodities, não há como pagar esse deficit eternamente. Se o preço das commodities cair, gera um problema na balança comercial. Temos um modelo de desenvolvimento perigoso: vendemos matéria-prima e compramos produtos inteligentes."
Ele diz ainda que o setor já apresentou um plano de reversão, num período de dez anos, do deficit do segmento.
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
Unidos contra o preço alto
Os primeiros apartamentos do Noroeste começaram a ser vendidos em agosto, mas o mercado imobiliário continua aquecido com a negociação de imóveis no novo setor. Nem mesmo o preço salgado afugenta os compradores, embora algumas pessoas que sonhavam morar ali tenham se assustado com os valores dos imóveis. Uma unidade de três quartos, por exemplo, é anunciada por mais de R$ 1 milhão. Para não ficar de fora do bairro, no mês passado, um grupo de consumidores criou a Associação de Compradores de Imóveis do Setor Noroeste, com o objetivo de mobilizar os interessados que não têm condições de pagar R$ 8,2 mil pelo metro quadrado. A entidade já soma 120 associados. A intenção agora é conversar diretamente com as construtoras e, assim, lutar por um preço mais justo para os imóveis. A associação que representa as empresas do setor imobiliário reconhece que esse tipo de conversação é possível.
A Associação de Compradores de Imóveis do Setor Noroeste foi criada pelo economista e empresário Lindolfo Cavalcanti de Magalhães, 66 anos. Depois de fundar a entidade com um grupo de amigos que compartilhavam de suas ideias, ele distribuiu 10 mil panfletos durante um salão imobiliário, realizado em novembro no Centro de Convenções. Nós não vamos aceitar preços exorbitantes por parte das construtoras. Afinal, elas precisam mais de nós do que precisamos delas. Só vamos conseguir baixar os preços negociando em grupo , diziam os panfletos.
A ideia motivou outras pessoas, que entraram em contato com Lindolfo e se cadastraram. Desde que começaram a falar no Noroeste, há mais de 10 anos, sonho com um apartamento na região. Mas quando o setor foi lançado, fiquei assustado com os preços. É uma bolha imobiliária que vai estourar a qualquer hora. Precisamos negociar, porque isso está se refletindo nos preços da cidade inteira , justifica Lindolfo. Vamos contratar um engenheiro para fazer uma planilha de custos e, assim, apurar o que seria um preço justo. Mas acho que o preço do metro quadrado não deveria nunca ultrapassar os R$ 7 mil , acrescenta o economista.
O advogado Edino Franzio, que também integra a Associação de Compradores de Imóveis do Setor Noroeste, acredita que os valores cobrados atualmente não refletem a realidade do mercado. Nossa expectativa é chamar a atenção da sociedade para o que está acontecendo. Os preços que estão sendo cobrados são totalmente irreais, precisamos nos mobilizar para termos poder de negociação , afirma Edino. O que queremos é um preço justo, o valor real de mercado. A partir de fevereiro, com o fim do recesso e das férias, acredito que a mobilização será grande , acrescenta o advogado.
Vendas aquecidas
Apesar das reclamações quanto ao preço, as vendas não param nos estandes que negociam unidades no Noroeste. Até agora, oito prédios foram lançados e as construturas já venderam cerca de 700 apartamentos. O número de projeções vendidas pela Companhia Imobiliária de Brasília é bem superior. Até agora, o GDF já vendeu 103 lotes de prédios no novo bairro, 92 residenciais e 11 mistos, ou seja, destinados a comércio, mas que comportam quitinetes ou pequenos apartamentos. Com o lançamento de apenas quatro editais de licitação, a Terracap arrecadou R$ 1,3 bilhão ano passado. Estão previstos 220 prédios residenciais, distribuídos em 20 quadras. O bairro terá 40 mil moradores.
O valor das projeções licitadas pelo governo é uma das justificativas usadas pelas construtoras para o alto preço dos apartamentos. Na primeira concorrência pública, em janeiro do ano passado, o governo estabeleceu o preço mínimo do lote para prédios residenciais em R$ 10,3 milhão. No mês passado, os mesmos terrenos tinham valor mínimo de R$ 15 milhões na licitação, o que representa um aumento de quase 50% em menos de um ano. Como cada terreno de mil m² tem potencial construtivo de 6,3 mil m², a construtora tem que cobrar R$ 2,3 mil por metro quadrado só para pagar o investimento da compra do lote.
O presidente do Sindicato das Indústrias da Construção Civil, Elson Póvoa, diz que o preço alto do terreno é a principal causa de os apartamentos do Setor Noroeste serem tão caros. Não temos como pressionar um órgão público a vender as projeções a preços mais baixos. É um leilão com lance fechado e, além disso, trata-se de um bem público que tem que ser vendido a valores de mercado. Fica difícil negociar , explica Élson. O Noroeste não foi criado para ser um bairro popular. Os prédios terão acabamentos de alto luxo e, além disso, existe a questão da sustentabilidade. Temos que fazer edifícios com (1)energia solar, reuso de água, coleta de lixo a vácuo. Tudo isso encarece muito os preços , acrescenta o presidente do Sinduscon.
Fluxo de caixa
Para o presidente da Associação dos Dirigentes de Mercado Imobiliário, Adalberto Valadão, há espaço para negociação com os clientes. Mas isso vai depender das condições financeiras de cada empresa. Se essa entidade que quer negociar preços tiver um grande número de associados, é claro que as empresas terão interesse de ouvir as propostas. Com mais de 30 interessados, por exemplo, já seria possível negociar , afirma.
Adalberto Valadão, entretanto, não faz projeções de quanto o valor final do imóvel pode baixar nas negociações. Cada construtora tem uma realidade diferente. Elas terão que analisar o fluxo de caixa para saber se o desconto proposto é possível , afirma o presidente do Ademi. Hoje, os imóveis são vendidos na planta e a previsão de entrega é de três anos.
O valor de R$ 8,2 mil para o metro quadrado na planta mostra que a tendência pode ser de alta. Desde o lançamento do primeiro empreendimento, as obras de infraestrutura avançaram. À época do início das vendas, não havia sequer estandes, nem ruas abertas. Agora, há máquinas de obra em todo o bairro, principalmente às margens da Epia o primeiro trecho a ser inaugurado.
1 - Bairro verde
O Setor Noroeste é chamado de o primeiro bairro ecológico do Brasil . Além das exigências ambientais dos projetos, outro diferencial é a proximidade com o futuro Parque Burle Marx. O setor é integrado à unidade ecológica, que vai dividir o Noroeste da Asa Norte.
A Associação de Compradores de Imóveis do Setor Noroeste foi criada pelo economista e empresário Lindolfo Cavalcanti de Magalhães, 66 anos. Depois de fundar a entidade com um grupo de amigos que compartilhavam de suas ideias, ele distribuiu 10 mil panfletos durante um salão imobiliário, realizado em novembro no Centro de Convenções. Nós não vamos aceitar preços exorbitantes por parte das construtoras. Afinal, elas precisam mais de nós do que precisamos delas. Só vamos conseguir baixar os preços negociando em grupo , diziam os panfletos.
A ideia motivou outras pessoas, que entraram em contato com Lindolfo e se cadastraram. Desde que começaram a falar no Noroeste, há mais de 10 anos, sonho com um apartamento na região. Mas quando o setor foi lançado, fiquei assustado com os preços. É uma bolha imobiliária que vai estourar a qualquer hora. Precisamos negociar, porque isso está se refletindo nos preços da cidade inteira , justifica Lindolfo. Vamos contratar um engenheiro para fazer uma planilha de custos e, assim, apurar o que seria um preço justo. Mas acho que o preço do metro quadrado não deveria nunca ultrapassar os R$ 7 mil , acrescenta o economista.
O advogado Edino Franzio, que também integra a Associação de Compradores de Imóveis do Setor Noroeste, acredita que os valores cobrados atualmente não refletem a realidade do mercado. Nossa expectativa é chamar a atenção da sociedade para o que está acontecendo. Os preços que estão sendo cobrados são totalmente irreais, precisamos nos mobilizar para termos poder de negociação , afirma Edino. O que queremos é um preço justo, o valor real de mercado. A partir de fevereiro, com o fim do recesso e das férias, acredito que a mobilização será grande , acrescenta o advogado.
Vendas aquecidas
Apesar das reclamações quanto ao preço, as vendas não param nos estandes que negociam unidades no Noroeste. Até agora, oito prédios foram lançados e as construturas já venderam cerca de 700 apartamentos. O número de projeções vendidas pela Companhia Imobiliária de Brasília é bem superior. Até agora, o GDF já vendeu 103 lotes de prédios no novo bairro, 92 residenciais e 11 mistos, ou seja, destinados a comércio, mas que comportam quitinetes ou pequenos apartamentos. Com o lançamento de apenas quatro editais de licitação, a Terracap arrecadou R$ 1,3 bilhão ano passado. Estão previstos 220 prédios residenciais, distribuídos em 20 quadras. O bairro terá 40 mil moradores.
O valor das projeções licitadas pelo governo é uma das justificativas usadas pelas construtoras para o alto preço dos apartamentos. Na primeira concorrência pública, em janeiro do ano passado, o governo estabeleceu o preço mínimo do lote para prédios residenciais em R$ 10,3 milhão. No mês passado, os mesmos terrenos tinham valor mínimo de R$ 15 milhões na licitação, o que representa um aumento de quase 50% em menos de um ano. Como cada terreno de mil m² tem potencial construtivo de 6,3 mil m², a construtora tem que cobrar R$ 2,3 mil por metro quadrado só para pagar o investimento da compra do lote.
O presidente do Sindicato das Indústrias da Construção Civil, Elson Póvoa, diz que o preço alto do terreno é a principal causa de os apartamentos do Setor Noroeste serem tão caros. Não temos como pressionar um órgão público a vender as projeções a preços mais baixos. É um leilão com lance fechado e, além disso, trata-se de um bem público que tem que ser vendido a valores de mercado. Fica difícil negociar , explica Élson. O Noroeste não foi criado para ser um bairro popular. Os prédios terão acabamentos de alto luxo e, além disso, existe a questão da sustentabilidade. Temos que fazer edifícios com (1)energia solar, reuso de água, coleta de lixo a vácuo. Tudo isso encarece muito os preços , acrescenta o presidente do Sinduscon.
Fluxo de caixa
Para o presidente da Associação dos Dirigentes de Mercado Imobiliário, Adalberto Valadão, há espaço para negociação com os clientes. Mas isso vai depender das condições financeiras de cada empresa. Se essa entidade que quer negociar preços tiver um grande número de associados, é claro que as empresas terão interesse de ouvir as propostas. Com mais de 30 interessados, por exemplo, já seria possível negociar , afirma.
Adalberto Valadão, entretanto, não faz projeções de quanto o valor final do imóvel pode baixar nas negociações. Cada construtora tem uma realidade diferente. Elas terão que analisar o fluxo de caixa para saber se o desconto proposto é possível , afirma o presidente do Ademi. Hoje, os imóveis são vendidos na planta e a previsão de entrega é de três anos.
O valor de R$ 8,2 mil para o metro quadrado na planta mostra que a tendência pode ser de alta. Desde o lançamento do primeiro empreendimento, as obras de infraestrutura avançaram. À época do início das vendas, não havia sequer estandes, nem ruas abertas. Agora, há máquinas de obra em todo o bairro, principalmente às margens da Epia o primeiro trecho a ser inaugurado.
1 - Bairro verde
O Setor Noroeste é chamado de o primeiro bairro ecológico do Brasil . Além das exigências ambientais dos projetos, outro diferencial é a proximidade com o futuro Parque Burle Marx. O setor é integrado à unidade ecológica, que vai dividir o Noroeste da Asa Norte.
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
Ascensão acelerada e bom ganho
O coordenador de educação profissional do Senai Maringá, Cláudio Alves Batista, afirma que os trabalhadores da construção civil hoje conseguem, em seis meses, uma ascensão na hierarquia que normalmente levaria cerca de três anos.
“A profissão está permitindo uma remuneração cada vez melhor. Trabalhadores autônomos ganham entre R$ 2 mil e R$ 3 mil por mês”, comenta Batista. “Soube de profissionais que, com nível de instrução de 5ª série (ensino fundamental), conseguem até R$ 4 mil por mês”, acrescenta.
Batista coordena um curso de formação de pedreiro, previsto para começar no dia 10 de fevereiro, que sofre com o desinteresse dos jovens. Mesmo com a garantia de contratação imediata, carteira assinada e salário proporcional para que os alunos trabalhem e estudem durante um ano, o Senai tem dificuldades em preencher as 16 vagas abertas.
“Se você oferecer um emprego de pedreiro para um adolescente, ele torce o nariz”, afirma Batista. “O que ele quer é trabalhar num shopping, cercado de gente bonita, ou num escritório, com ar condicionado, Orkut e MSN”, comenta.
Para o coordenador, essa resistência está associada a algumas ideias distorcidas sobre o ofício. “O serviço mais pesado fica com o servente, que bate massa e carrega tijolos. Para um pedreiro, o trabalho de assentar massa e levantar paredes não é tão árduo assim”, avalia Batista.
“A profissão está permitindo uma remuneração cada vez melhor. Trabalhadores autônomos ganham entre R$ 2 mil e R$ 3 mil por mês”, comenta Batista. “Soube de profissionais que, com nível de instrução de 5ª série (ensino fundamental), conseguem até R$ 4 mil por mês”, acrescenta.
Batista coordena um curso de formação de pedreiro, previsto para começar no dia 10 de fevereiro, que sofre com o desinteresse dos jovens. Mesmo com a garantia de contratação imediata, carteira assinada e salário proporcional para que os alunos trabalhem e estudem durante um ano, o Senai tem dificuldades em preencher as 16 vagas abertas.
“Se você oferecer um emprego de pedreiro para um adolescente, ele torce o nariz”, afirma Batista. “O que ele quer é trabalhar num shopping, cercado de gente bonita, ou num escritório, com ar condicionado, Orkut e MSN”, comenta.
Para o coordenador, essa resistência está associada a algumas ideias distorcidas sobre o ofício. “O serviço mais pesado fica com o servente, que bate massa e carrega tijolos. Para um pedreiro, o trabalho de assentar massa e levantar paredes não é tão árduo assim”, avalia Batista.
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